MUSEOLOGIA E ACESSIBILIDADE
Como é que acessibilidade nos museus ao público invisual é realizada? Será que se encontra bem implementada na rede de museus em Portugal? O especialista em Museologia, Dr. José Miguel Neves esclarece algumas dúvidas que possam permanecer em relação a esta acessibilidade e ao mesmo tempo partilha a sua opinião.
DE UMA VISÃO GERAL, OS ESPAÇOS DOS MUSEUS EM PORTUGAL ESTÃO ADAPTADOS PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL?
De um modo geral, o acesso a público com necessidades especiais relativas a deficiência visual encontra-se pouco implementado em espaços de museu.
O FINANCIAMENTO É UM OBSTÁCULO PARA A CRIAÇÃO DA ACESSIBILIDADE DOS MUSEUS PARA AS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL?
Poderá ser apontada essa condicionante mas a realidade traduz uma inexistente implementação de parcerias e cooperações activas com associações ou escolas responsáveis pela deslocação a museus e outros espaços culturais que, com alguma boa vontade, poderiam ser disponibilizadas sem grandes custos.
A prática deste tipo de visitas é, do que me apercebo, muito extemporânea o que leva a um descuido nas prioridades de acesso. Com a multiplicação dos acessos a museus deste tipo de visitantes os museus teriam que responder a essa procura de forma imediata e actual.
COMO É QUE É POSSÍVEL PROMOVER A AUTONOMIA DO VISITANTE E A EXPLORAÇÃO DO ESPAÇO?
Uma maior autonomia impõe a formação de guias/voluntários, eles próprios com essa deficiência ou dificuldade, facilitando a orientação nos espaços, treinando de forma prévia o percurso a seguir, as informações a transmitir ou os objectos a tactear. Com essa “mapa” testado e devidamente aprovado e divulgado, o espaço do museu poderá promover uma comunicação dirigida onde deveria assinalar a preparação do espaço. Aconselha-se a que no museu os SE nomeiem um responsável pela certificação das condições.
A ACESSIBILIDADE DOS MUSEUS PARA AS PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS É UMA PRIORIDADE EM PORTUGAL?
A legislação de higiene e segurança contempla um conjunto de obrigatoriedades e regras em espaços públicos como museus que são fiscalizadas por auditorias de segurança mas não obriga, no caso de público invisual, a implementação de regras e meios. Será num futuro próximo uma alteração que acabará por se tornará obrigatória.
QUAIS PODERÃO SER AS ATIVIDADES E PROGRAMAS PARA INCENTIVAR A MOTIVAÇÃO DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS A VISITAR MUSEUS?
A prioridade estará na disponibilização de informação generalista através de um folha de sala obrigatória das galerias de exposição permanente dos museus em linguagem braille para público cego e com a formação de técnicos auxiliadores na deslocação e fruição de público com ambliopia (visão parcial). Em ambos os casos, o acompanhamento e ajuda torna-se obrigatório por parte do SE dos Museus.
De forma a incentivar a motivação da visita poderão ser realizadas experiências piloto com associações e/ou escolas responsáveis pelo apoio a cegos ou com outra deficiência, tornando a participação inclusiva
